Nesse Oito de Março, Dia Internacional da Mulher, poderíamos ser poéticos e falar apenas palavras doces sobre o significado de s
er mulher. Mas a realidade é outra e precisamos ser realistas. Como uma entidade de homens e mulheres que trabalham com o bem mais precioso à vida – a água – lembramos que as mudanças climáticas e catástrofes ambientais que o mundo está vivendo não são neutras em termos de gênero. A manutenção dos recursos naturais deve ser uma responsabilidade de todos e de todas, e neste momento as trabalhadoras do saneamento devem se organizar para discutir e propor mudanças políticas e sociais em sua família, trabalho e comunidade.
Afinal, o clima do nosso planeta está mudando rápida e visivelmente. O aumento da temperatura da Terra, ligado à alterações nos padrões de chuva, amplitude e intensidade de secas, catástrofes ambientais – entre outras mudanças – já causaram vários impactos negativos em vários lugares do mundo. Até o Litoral Sul do Brasil – Rio Grande do Sul e Santa Catarina – nos últimos anos vem sendo visitado por tufões que muitas vezes provocam destruição material e mortes. A ciência ainda estuda estas alterações recentes, mas sabemos que tais transformações não aconteceram naturalmente. Elas são conseqüências da intervenção humana cada vez mais pesada sobre o meio ambiente – degradação dos ares, águas e solo, poluição e desmatamento - a partir do modelo de produção e consumo capitalista que só tem se acirrado desde o final do século XVIII, época da Revolução Industrial.
Assim, como outros grandes temas que enfrentamos no nosso cotidiano, a defesa da água como bem público inalienável, é um passo fundamental não só para garantirmos nossos empregos, mas também a saúde e o bem estar de todos os gaúchos e gaúchas, e o futuro de nossos filhos e netos.
O Dia Internacional da Mulher lembra as 129 operárias que no dia 8 de março de 1857, em Nova Iorque, morreram queimadas numa ação da polícia, por estarem em greve em defesa de direitos básicos como licença-maternidade e a redução de sua jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias. No Brasil, as conquistas femininas andaram ainda mais lentamente, e só em 1932 as mulheres alcançaram o direito de votar para seus governantes, em nosso país.
E muito há ainda por fazer! Os direitos das mulheres se traduzem em melhorias importantes em suas vidas, mas para que a igualdade entre os gêneros seja uma realidade na prática, as mulheres devem poder participar plenamente do processo de tomada de decisões públicas – com no mínimo 30% de participação nos cargos e funções, em todos os níveis - e ter instrumentos para cobrar dos responsáveis sempre que seus direitos sejam violados e suas necessidades ignoradas.
O empoderamento das mulheres e a igualdade de gênero são a força motriz para a redução da pobreza, a promoção da segurança alimentar, a redução da mortalidade infantil e materna e a defesa ambiental. A defesa da água como bem de todos, que não pode ter dono, insere-se plenamente em nossas lutas.