Sempre que o SINDIÁGUA alerta aos colegas de toda a Corsan que não basta ficar atento ao que acontece em cada município, no tocante ao processo de privatização da água, de terceirizações e quarteirizações, há uma razão forte e objetiva para isso. Evidentemente que nos cabe fiscalizar e lutar pela manutenção dos contratos de programa no município em que vivemos e trabalhos, mas é preciso entender que por trás de cada tentativa deste ou daquele prefeito, há uma mesma lógica privatista, agindo a partir dos mais altos escalões do atual governo gaúcho.
Gestão Fogaça-Fortunati
Mais do que isso: a gestão Fogaça-Fortunati, na Prefeitura de Porto Alegre, de braços dados com o governo Yeda, também vem trabalhando pela privatização do DMAE – o mais importante serviço de águas e esgoto do Rio Grande do Sul, depois da Corsan, e um dos mais conceituados do país.
Uma comprovação recente disso veio de uma declaração do atual diretor do DMAE, Décio Presser, no dia 28 de junho, em frente aos funcionários deste Departamento Municipal da capital gaúcha. Entre outras “jóias” do pensamento neoliberal e privatista, Presser afirmou: “O servidor da empresa terceirizada trabalha melhor que o servidor concursado”.
A declaração absurda do diretor foi um verdadeiro balde de água (não tratada) gelada na cabeça dos colegas que atuam no Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre. E é por isso que o Sindicato dos Municipários (Simpa) da Capital vem se mobilizando com mais intensidade nos últimos meses.
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Veja aqui algumas das medidas tomadas pela direção do DMAE na gestão Fogaça-Fortunati, em relação aos colegas municipários – e lembre se você já não viu isso, praticamente igualzinho, na atual Gestão Corsan, sob o governo Yeda.
Cortou horas extras dos servidores da leitura; durante greve (em 2007) convocou o Batalhão de Choque da BM para espancar os trabalhadores; após a greve, perseguiu os funcionários que aderiram à paralisação, inclusive proibindo horas extras e cortando insalubridade, entre outras coisas; não liberou diretores para o Simpa e construiu um Plano de Carreira que retira vantagens dos trabalhadores, sem debater com a categoria.
Consciência na hora de votar
Por isso, não basta lutar pela manutenção da água pública em cada município: é preciso ter a mesma consciência na hora de eleger quem vai dirigir os destinos de todos os gaúchos e gaúchas pelos próximos quatro anos. E a melhor maneira é perceber quem fez o que, quando esteve em algum cargo executivo – caso de Fogaça na Prefeitura de Porto Alegre. Se eleito, ele vai reproduzir a mesma política que implantou no Dmae e que Yeda luta para concretizar no Estado.
No momento de votar para governador, em novembro próximo, pare e pense: quem é que efetivamente defende a água pública e os nossos empregos? E quem, no fundo, pretende mesmo é entregar patrimônio público e os serviços para as grandes empresas privadas?